A toxoplasmose é uma infecção que, quando adquirida durante a gestação, pode ser transmitida ao bebê e causar complicações. Embora seja uma condição pouco frequente, o diagnóstico precoce e os cuidados preventivos são fundamentais para reduzir os riscos.
O Hospital Universitário da UFSCar (HU-UFSCar), vinculado à HU Brasil, conta com um ambulatório para acompanhamento pré-natal de gestantes de alto risco. A médica obstetra Bruna Parreira Lopes Ferraz esclarece as principais dúvidas sobre a doença.
A toxoplasmose é causada pelo protozoário Toxoplasma gondii. A principal forma de transmissão é através do contato com fezes de gatos que estejam infectados, contato com areia, terra ou água contaminadas, havendo também risco na ingestão de carne crua ou mal passada e de frutas e verduras não higienizadas. "É uma doença relativamente frequente na população brasileira, mas na região Sudeste é menos comum e, na gestação, é ainda mais raro. A paciente infectada pode ter febre, dor no corpo, algumas ínguas e alguns linfonodos pelo pescoço. O problema na gestação não é para a mãe, mas para o bebê, pois a doença pode ser transmitida e causar consequências a ele", pontua a obstetra.
Riscos
Dentre os riscos para os bebês estão o parto prematuro, alterações cerebrais com calcificações intracranianas, comprometimento da visão, perda auditiva e atraso do desenvolvimento. Mas os riscos vão depender da idade gestacional. "Quanto mais precoce é a infecção da mãe, menor é a chance de transmissão para o bebê. Mas, se houver contágio, o bebê tem mais chance de lesões graves, inclusive de abortamento. Já se a mãe contrair a doença no final da gestação, a transmissão para o bebê é mais frequente mas, como o feto está mais formado, as manifestações são menos graves. Ou seja, quanto mais tardia a infecção, menor é o comprometimento do bebê, apesar de ser maior o risco da transmissão", explica Bruna.
Diagnóstico
O exame da toxoplasmose faz parte da rotina de pré-natal no Brasil e deve ser realizado logo no início da gestação para identificar se a paciente nunca teve contato com o patógeno, se já teve contato e está imune, ou se está suscetível à doença. Se a paciente for suscetível, é necessário repetir o exame ao longo do pré-natal.
"Alguns protocolos preconizam a repetição do exame uma vez por trimestre, outros a cada dois meses. No HU-UFSCar, é feita a repetição do exame a cada dois meses, para identificar a infecção aguda de maneira mais ágil, para que se possa implementar as medidas de tratamento", enfatiza a especialista.
O ultrassom normal não detecta a doença. Dependendo da idade gestacional, pode ser preciso realizar uma amniocentese, que é uma punção na barriga, para ver se o líquido amniótico está contaminado.
Tratamento
Em São Carlos, o medicamento para tratar a toxoplasmose é obtido no Centro de Atendimento de Infecções Crônicas (CAIC). O HU-UFSCar notifica a doença, prescreve o medicamento e acompanha a paciente. Quanto antes é feito o diagnóstico, menor é a chance de complicações para o bebê.
O gato oferece risco?
A médica tranquiliza: "Ter um gato, geralmente, não representa um risco importante. Se o animal tivesse a doença, provavelmente já teria transmitido para a tutora. O gato só vai eliminar o parasita por um curto período de tempo, então, a chance de infecção é pequena. Se a paciente não foi diagnosticada com toxoplasmose e é suscetível, provavelmente ela já tem hábitos que diminuíram a chance de contrair a doença. É necessário reforçar esses hábitos durante a gestação, como evitar contato direto com as fezes do animal. A alimentação do pet deve ser à base de ração e alimentos cozidos, a caixa de areia deve ser limpa diariamente, e não é recomendado expor o animal a ambientes externos, onde é possível contrair a doença".
Prevenção
Ainda segundo a especialista, o que realmente ajuda na prevenção é cozinhar bem carne; não ingerir carne crua ou mal passada, embutidos e carnes curadas; consumir legumes e verduras fora de casa somente cozidos; lavar cuidadosamente frutas, verduras e legumes com hipoclorito ou água sanitária; lavar bem as mãos; utilizar água potável; usar luvas se for entrar em contato com terra, caixa de areia de gato ou parquinho de criança e depois lavar bem as mãos. "O mais importante da toxoplasmose é saber que ela é prevenível com métodos de higiene e exames logo no início do pré-natal", finaliza a obstetra.
Sobre a HU Brasil
O HU-UFSCar integra a HU Brasil desde outubro de 2014. Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a estatal nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). É responsável pela administração de 47 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação.