O avanço das mulheres em cargos de liderança perdeu ritmo nos últimos anos no Brasil, após quase uma década de crescimento gradual. É o que aponta o estudo “State of Women in Leadership”, divulgado pela LinkedIn.
A pesquisa mostra que, embora as mulheres representem cerca de 45% da força de trabalho brasileira, elas ocupam pouco mais de 32% dos cargos de liderança nas empresas. Depois de um período de crescimento constante ao longo da última década, o avanço começou a desacelerar a partir de 2022, indicando uma estagnação na presença feminina em posições de decisão.
Segundo o levantamento, em 2022 cerca de 34% das contratações para cargos de liderança foram ocupadas por mulheres, número que caiu para aproximadamente 32% em 2025. O cenário revela que, apesar do aumento da participação feminina no mercado de trabalho, a ascensão para posições estratégicas ainda enfrenta barreiras estruturais. O fenômeno não ocorre apenas no Brasil. Em escala global, mulheres representam cerca de 44% da força de trabalho, mas ocupam apenas 31% das posições de liderança, evidenciando um desequilíbrio persistente entre participação profissional e acesso aos níveis mais altos de gestão.
Esse contexto também pode ser observado em cidades do interior paulista com forte presença empresarial e universitária, como Araraquara e São Carlos. Os dois municípios concentram universidades, centros de pesquisa, indústrias e um crescente ecossistema de inovação, fatores que ampliam as oportunidades de qualificação profissional.
Ainda assim, a presença feminina em posições de comando em empresas e negócios locais ainda não acompanha o mesmo ritmo de crescimento observado na participação das mulheres no mercado de trabalho.
Em Araraquara, onde as mulheres representam mais da metade da população, histórias de empreendedorismo feminino ajudam a ilustrar os desafios e as conquistas dessa trajetória. É o caso da empresária Rose Alves, proprietária de um salão de beleza na cidade. Atuando no setor de serviços, ela construiu seu próprio negócio e se consolidou como liderança em seu segmento, gerando emprego e renda.
Para Rose, o empreendedorismo foi uma forma de conquistar autonomia profissional e financeira. “Muitas mulheres ainda enfrentam dificuldades para chegar a cargos de liderança em empresas, então abrir o próprio negócio acaba sendo um caminho para assumir o controle da própria carreira”, afirma.
De acordo com especialistas, um dos fatores que ainda limita a ascensão feminina é o chamado “degrau quebrado”, um obstáculo que ocorre logo no início da carreira. Embora mulheres ocupem quase metade das posições de entrada nas empresas, a presença feminina diminui nos níveis intermediários e cai ainda mais nas posições executivas.
Esse efeito em cadeia reduz as chances de promoção para cargos de diretoria e presidência ao longo do tempo.
Em regiões como Araraquara e São Carlos, que combinam universidades, centros de tecnologia e crescimento empresarial, especialistas apontam que há potencial para ampliar a participação feminina na liderança, principalmente em áreas como gestão, inovação e empreendedorismo.
No entanto, para que esse avanço ocorra de forma mais consistente, especialistas destacam a importância de políticas de diversidade nas empresas, programas de desenvolvimento de lideranças femininas e iniciativas de apoio ao empreendedorismo.
Enquanto esses avanços ainda caminham em ritmo gradual, exemplos como o de Rose Alves mostram que, mesmo diante das barreiras estruturais, mulheres continuam abrindo espaço e assumindo posições de liderança, seja dentro das empresas ou à frente de seus próprios negócios.