13/03/2021 às 09h02min - Atualizada em 13/03/2021 às 09h02min

Marielle Vive!

No dia 14 de março serão três anos que o Brasil se pergunta: quem mandou matar Marielle? Artigo

Nessa semana recebi com muita perplexidade a notícia de que um projeto propondo o nome da ex-vereadora do Rio de Janeiro, Marielle Franco, a uma rua são-carlense não foi aprovado pela Câmara Municipal de São Carlos.

No dia 14 de março serão três anos que o Brasil se pergunta: quem mandou matar Marielle? Três anos que seguimos sem a resposta sobre quem a matou, e o por quê a mataram. Nesse período, Marielle recebeu milhares de homenagens, não só no Brasil, como em todo mundo. Em Paris, por exemplo, Marielle Franco é o nome de um jardim, numa bonita e simbólica homenagem, aprovada por unanimidade na Câmara daquela cidade.

Como mulher, e como alguém que também já foi parte dessa câmara municipal, como vereadora e como Presidente da Comissão de Direitos Humanos, eu sinceramente não consigo compreender quais os motivos que levaram a maioria dos representantes do povo no Legislativo de São Carlos a vetar uma homenagem a uma mulher negra, também vereadora eleita, assassinada brutalmente no exercício de seu mandato, como representante das trabalhadoras e dos trabalhadores do Rio de Janeiro.

Mulher preta, moradora da favela da Maré, Marielle, quando viva, era a representação de mulheres e homens que, como ela, sempre foram colocados às margens da nossa sociedade, e assassinada, se transformou num símbolo de luta, de resistência e de esperança. Em um momento da nossa história em que as mulheres são as maiores afetadas por uma pandemia que matou mais de 270 mil brasileiras e brasileiros, que sofrem com o agravamento de uma crise econômica que traz de volta à miséria ao nosso país, em que as mulheres negras e periféricas enfrentam todos os dias o medo de perder seus filhos pra violência do Estado, é cruel é inadmissível que mesmo essa simbologia lhes seja negada.

Quero parabenizar as vereadoras e os vereadores que foram favoráveis ao projeto, em especial à vereadora Raquel Auxiliadora do meu partido (PT), e deixar aqui o meu repúdio aos que votaram contra. Essa decisão coloca São Carlos na contramão do mundo e realmente nos traz a reflexão da importância de elegermos pessoas que represnetem realmente a diversidade da nossa sociedade, respeitem diferenças, para que possamos, de fato, fortalecer os espaços democráticos.

(*) Silvana Donatti (PT) foi vereadora em São Carlos de 2001 a 2008 e foi Dirigente Nacional do PT. Atualmente é membro da Direção Estadual do PT/SP.


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