09/06/2020 às 17h37min - Atualizada em 09/06/2020 às 17h37min

54,8% das indústrias paralisaram produção e recorreram a acordos trabalhistas

Levantamento realizado pelo CIESP São Carlos apontou que 11,9% pararam totalmente Preocupante

A 3ª pesquisa realizada pelo CIESP São Carlos para avaliar o impacto do coronavírus no setor industrial apontou que 54,8% das empresas precisaram paralisar a produção; dessas, 11,9% pararam totalmente, e 42,9% pausaram apenas alguns setores. O índice de industriais que sentiram impacto no faturamento não mudou em relação à última pesquisa do Ciesp, realizada no início de abril: 82,9%.

Realizada entre os 01 e 05 de junho, a 3ª pesquisa contou com a participação de mais de 40 indústrias da região, e apontou ainda que 54,8% precisaram recorrer a acordos de suspensão do contrato de trabalho ou redução de jornada e salário, com contrapartidas do governo, conforme previsto na Medida Provisória (MP) 936. Dessas, 21,4% reduziram a jornada de trabalho com diminuição proporcional dos salários, 16,7% suspenderam contratos e 16,7% utilizaram as duas medidas em casos diferentes.

Para o diretor do CIESP São Carlos, Emerson Chu, os acordos trabalhistas evitaram que muitas demissões ocorressem. “A indústria trabalha com mão de obra especializada e só fará demissão, em último caso, mesmo porque, esse capital humano é o seu maior e mais importante bem”, afirma.

Ainda segundo Chu, a queda no faturamento, possivelmente, se deve à paralisação de outros setores da economia, como comércio e serviços. “As engrenagens – indústria, comércio e serviço – devem estar girando para manter minimamente a economia, e o plano de retomada é essencial para isso. Lembrando sempre que os protocolos de segurança devem ser cumpridos à risca para preservar a saúde de todos”, ressalta.

E o papel da população também é muito importante. “Não adianta a indústria, o comércio e os serviços seguirem sozinhos as regras ditadas pelo Poder Público, é fundamental o papel da população nesse contexto, pois também cabe a cada um de nós, enquanto cidadãos, seguir e cobrar tais recomendações”, complementa Chu.

Desafios

Quando questionados sobre os principais desafios financeiros da empresa, 30,8% dos industriais responderam que são os impostos; 28,2% a aquisição de crédito nos bancos, 23,1% a folha de pagamento e 17,9% a renegociação de dívidas. A última pesquisa realizada pelo CIESP São Carlos já havia sinalizado que 56% das indústrias da região têm dificuldade em obter crédito e renegociar dívidas.

Um industrial que pediu para não ser identificado afirmou que, conforme divulgado pelo BNDES, já houve concessão de empréstimo para capital de giro, mas até o momento, não houve liberação do crédito por nenhum dos bancos. Segundo ele, o que os bancos têm oferecido são linhas de crédito alternativas, com juros impraticáveis.

Por outro lado, em que pese todos os problemas enfrentados, muitos industriais estão otimistas quanto à retomada da economia e ao funcionamento da engrenagem. A pesquisa indicou que mais da metade acredita que voltará a contratar em breve: 45,2% responderam que depois de seis meses já devem voltar a contratar e 7,1% preveem contratações após 1 ano.

O Ciesp São Carlos

O Ciesp São Carlos reúne indústrias e parceiros ligados ao setor produtivo, dá suporte aos empresários e os representa junto à sociedade e aos governos municipal, estadual e federal.

A Regional compreende também Ibaté, Ribeirão Bonito, Dourado, Trabiju, Boa Esperança do Sul, Descalvado, Analândia, Porto Ferreira, Pirassununga, Santa Cruz da Conceição e Santa Rita do Passa Quatro, além de São Carlos.


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