No Dia Mundial do Rim, Santa Casa alerta para a importância da prevenção

Em dez anos, o número de pacientes fazendo hemodiálise dobrou em todo o país Saúde

Por
5 Min

O Brasil tem mais de 126 mil pacientes fazendo hemodiálise. O dobro do que havia 10 anos antes, quando 65 mil pessoas passavam pelo tratamento. Os dados são do Censo da Sociedade Brasileira de Nefrologia. O último levantamento foi feito em 2017.

Segundo o nefrologista responsável técnico pelo Serviço de Nefrologia da Santa Casa, Doutor Douglas Pinotti, esse crescimento se deve ao envelhecimento da população aliado ao aumento de casos de hipertensão e diabetes.

“E o grande problema é que as pessoas procuram por avaliação médica quando os sintomas começam a aparecer: inchaço nas pernas, cansaço, anemia, fraqueza e alterações na urina. E esses sinais aparecem quando o rim já perdeu praticamente 70% das funções. Com isso, não tem muito o que fazer. O paciente é encaminhado para hemodiálise”.

Por isso, a prevenção é tão importante. “Quem tem o diagnóstico de hipertensão e diabetes, precisa fazer avaliação com um nefrologista 1 vez por ano. Além disso, hábitos como beber bastante água, ter uma alimentação saudável e praticar atividades físicas, ajudam muito”, complementa Pinotti. 

Em São Carlos, o Serviço de Nefrologia funcionou de forma terceirizada durante 30 anos. Em maio de 2019, a Santa Casa assumiu o atendimento. Hoje, 208 pessoas fazem hemodiálise. E em apenas 8 meses, conseguiu reduzir a mortalidade de pacientes crônicos: enquanto a média nacional gira em torno de 14%, no hospital, esse índice é de 12%.

Para chegar a esse resultado, várias medidas foram adotadas. Dentre elas, a instalação do sistema mais moderno do mercado para o tratamento da água usada para “filtrar” o sangue do paciente que faz a hemodiálise. A água é tratada duas vezes. Depois, é esterilizada com lâmpadas ultravioleta para contenção de micro-organismos. Um gerador de ozônio faz a desinfecção automática de todo o sistema de irrigação das máquinas. Um cuidado importante para evitar qualquer risco de infecção e contaminação.

Outra medida foi com relação ao acesso vascular. Para poder fazer a hemodiálise, é preciso criar uma “porta de entrada”, uma ligação entre a máquina e o sistema circulatório.  E existem duas formas de fazer isso: o cateter, que é um tubo colocado em uma veia no pescoço, tórax ou virilha.

Ou a fístula, que é uma cirurgia feita para unir uma artéria e uma veia e criar um canal para levar o sangue direto ao aparelho de hemodiálise. Essa segunda opção é a mais recomendada pela Sociedade Brasileira de Nefrologia, porque diminui o risco de infecção e aumenta a sobrevida do paciente. E é justamente esse tipo de acesso que a Santa Casa tem implantado mais. Hoje são confeccionadas, em média, 10 fístulas por mês no hospital.

Neste ano, o Serviço de Nefrologia passou a oferecer um outro tipo de atendimento: a diálise peritoneal. A Santa Casa fornece o equipamento e treinamento para o paciente, que pode fazer o tratamento em casa.

“São muitas as vantagens. O paciente pode estabelecer o horário em que deseja fazer, inclusive durante a madrugada, enquanto está dormindo. O tratamento gira em torno de 8h a 12h e ele programa a máquina para fazer isso. Durante o dia, ele tem a liberdade para trabalhar e fazer as atividades dele. Sem contar o conforto, o fato de estar em casa, perto da família. Além disso, diminui também o risco de infecção do ambiente hospitalar”, explica o enfermeiro responsável técnico do Serviço de Nefrologia, Elio Vieira da Silva Júnior.

O aposentado José Floriano Ferreira de Souza teve nefrite quando criança e a doença não foi tratada. Aos 26 anos, procurou o médico por causa da hipertensão, e descobriu que o rim havia parado de funcionar. Ele começou a fazer a hemodiálise. Dois anos e meio depois, conseguiu o transplante pela Unicamp.

Mas o novo órgão durou apenas 3 meses. Ele pegou uma bactéria forte e teve que entrar com antibiótico. Resultado: voltou para a fila do transplante. Isso faz mais de 20 anos. “Foi difícil para superar. Tive até um começo de depressão. Mas estou aqui. Não pode desistir. Hoje continuo na fila esperando por uma nova chance”.

Seo Floriano faz tratamento na Santa Casa há mais de 20 anos. Ele acompanhou de perto a mudança do Serviço de Nefrologia, que era terceirizado e passou a ser da Santa Casa. “O atendimento médico melhorou muito. Antes, a gente pedia uma receita, demorava 3 dias para conseguir, porque não tinha quem assinasse. Hoje não. Precisou de uma medicação, o médico aparece imediatamente. Aliás, o atendimento da equipe inteira melhorou bastante.  As máquinas agora são novas, as cadeiras mais confortáveis. Só tenho a agradecer. E manter a esperança de conseguir um rim novo”.