22/06/2019 às 09h30min - Atualizada em 22/06/2019 às 09h30min

"Guerra de maquininhas" destaca atuação das cooperativas de crédito

A disputa pela atenção do consumidor nos últimos meses foi intensificada por meio de campanhas publicitárias grandiosas e promoções nem sempre confiáveis. Economia

Uma economia em crise, com baixíssimos sinais de recuperação, permitiu que pelo menos uma guerra fosse declarada no Brasil – a "guerra das maquinhas". A disputa pela atenção do consumidor nos últimos meses foi intensificada por meio de campanhas publicitárias grandiosas e promoções nem sempre confiáveis.

Essa competição intensa pela preferência das máquinas que capturam vendas com cartões de débito ou crédito, na verdade, é uma tentativa de cooptar lojistas, prestadores de serviços e empreendedores individuais. "O que está em disputa é o fluxo de caixa dos empresários, por isso estamos assistindo essa guerra", salienta o gerente geral da cooperativa de crédito Crediacisc, Adão Luis Garcia.

Para Garcia, essa prática é típica de um mercado oligopolizado que deseja aumentar ainda mais sua participação. "Os grandes bancos estão por trás da maioria das maquininhas e iniciaram promoções, isenções e, em alguns casos, até venda casada, o que é ilegal, para atrair novos adquirentes", explica. Segundo ele, não há almoço grátis, em algum momento haverá compensação.

Também disputa parte do mercado as fintech´s, empresas de tecnologia que prestam serviços digitais. As maquininhas são a melhor expressão da era do consumo digital e as mudanças no pagamento eletrônico indicam uma revolução em andamento. "Ao utilizar o cartão de débito ou crédito ocorre a captura de uma série de dados, o que permite inovações como uso de carteiras digitais, QR Codes, aplicativos e pagamentos virtuais", observa o secretário executivo da Crediacisc, e pesquisador sobre cidades inteligentes pela UFSCar, Marcos Martinelli.

Uma opção confiável no mercado é a maquinha das cooperativas de crédito. "Primeiro porque não visamos lucro e aquilo que o cooperado paga de taxa e aluguel volta para ele mesmo no final do período", salienta a gerente de unidade, Thais Gaban. É uma maneira do empresário participar como sócio de um grande negócio, utilizando sua própria máquina de captura de vendas com cartões.

De acordo com ela, a Crediacisc, que integra o sistema Sicoob, está preparada para orientar o consumidor quanto à "guerra das maquininhas" e a concorrência acirrada em andamento. "Nem tudo é o que parece nos comerciais de tv e propagandas nas redes sociais. É preciso desconfiar sempre", observa.

"As principais instituições financeiras querem controlar o fluxo financeiro das empresas, que terão benefícios desde que mantenham suas vendas no banco dono da maquininha. É preciso estudar o mercado e comparar o que é oferecido para não cair em armadilhas. Na Crediacisc já fizemos isso e estamos prontos para orientar nossos cooperados", esclarece Thais. Veja abaixo algumas comparações feitas pela Sicoob.

"A Sipag é a maquinha do comerciante, prestador de serviço ou empreendedor cooperado e utiliza-la significa usufruir de várias vantagens", destaca Garcia. De janeiro a maio deste ano, a Crediacisc movimentou R$ 8,2 milhões de reais por meio da Sipag. 

Comparação feita pela Sicoob Crediacisc

Maquininha 1

- Usa artistas famosos e faz apelo ao não pagamento do aluguel

- Utiliza taxas promocionais com tempo determinado

- O público que utiliza essa maquininha é não "bancarizado", por isso conhece pouco do mercado financeiro

- Transferência da conta digital para conta corrente financeira é taxada a partir da segunda movimentação 

Sipag

- A cooperativa possui autonomia para fixar taxas (MDR) e antecipações a preços justos

- Os créditos são debitados na conta do cooperado, que usufrui de outras vantagens

- Em uma transação de R$ 1 mil no crédito, a taxa MDR pode ser de 2 a 10 vezes menor do que as concorrentes

 Maquininha 2

- Propagandas "barulhentas"

- Promoção, aluguel zero e antecipação zero (chamou atenção do mercado)

- Para aluguel zero, estabelecimento tem que ter faturamento mínimo, além de estar sujeito a outras contratações compulsórias

- Obrigado a usar banco da maquininha, com taxas de serviços mais altas

 

Sipag

- Transparente nas negociações com os cooperados

- Estabelecimentos credenciados até 30 de junho de 2019 tem isenção de 6 meses no aluguel, sem limite de equipamentos

- A partir de agora, a Sipag faz recarga de celulares e reembolsa o adquirente pelo serviço


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