08/03/2019 às 09h31min - Atualizada em 08/03/2019 às 09h31min

Mulheres empreendem mais do que os homens

No cooperativismo, por exemplo, as mulheres têm história pela característica empreendedora. GEM

As mulheres estão empreendendo mais do que os homens em novos negócios, segundo pesquisa realizada pela Global Entrepreneurship (GEM), com apoio do Sebrae. A partir de 2017, 14,2 milhões de empreendedoras entraram no mercado, enquanto os homens somaram 13,3 milhões. De acordo com a Rede Mulher Empreendedora (RME), existem no Brasil 24 milhões de empreendedoras, que administram pequenas e microempresas com faturamento anual que vai de zero a R$ 3,6 milhões.

No cooperativismo, por exemplo, as mulheres têm história pela característica empreendedora. Em 1844, na cidade de Manchester, Inglaterra, um grupo de tecelões e tecelãs criou a primeira cooperativa para driblar a exploração do capitalismo, que exigia jornadas de até 16 horas de mulheres e crianças. A iniciativa aconteceu 13 anos antes do fatídico 8 de março de 1857 – Dia Internacional da Mulher –, quando centenas de operárias morreram queimadas em uma fábrica de Nova York porque lutavam por direitos trabalhistas.

Na Sicoob Crediacisc, cooperativa de crédito fundada em 2005 em São Carlos, as mulheres representam boa parte dos cooperados. “Nossa característica é reunir pequenas e médias empresas que são, na sua maioria, de propriedade ou gerenciadas por mulheres”, destaca o secretário executivo da cooperativa, Marcos Alberto Martinelli.

“Assumi o administrativo e financeiro depois do falecimento do meu pai há 4 anos e até hoje sou a única mulher por aqui”, diz Angela Biancone Zulli, sócia com os tios e um irmão de uma empresa que há 35 anos atua no comércio e distribuição de hortifrutigranjeiros. Foi ideia dela associarem-se à Crediacisc. “No início resistiram porque não conheciam a cooperativa, mas nos adaptamos bem, o atendimento e as condições são melhores do que nos bancos e podemos contribuir com os demais associados para o desenvolvimento de todos”.

Para Angela, não é tarefa fácil ser empresária e lidar com cenários econômicos instáveis e outros percalços do dia a dia. “Ainda enfrentamos preconceitos e temos dupla jornada. Sempre brinco em casa que tenho o segundo tempo para cumprir”, observa a empresária, que é suplente no Conselho Fiscal da Crediacisc.

Já a gerente de uma construtora com 60 funcionários, Gabriele Piazzalunga, há 13 anos participante da cooperativa de crédito, considera que as mulheres têm conquistado mais espaços na sociedade. “Cada vez mais os casais dividem o trabalho doméstico e profissional e os homens precisam compreender isso”, diz. Para ela, chama a atenção a quantidade de mulheres que administram as empresas. “Elas cuidam principalmente do setor financeiro e têm ido muito bem nesta função”, observa.

Gabriele presidiu parte da assembleia da Crediacisc em 2018 e diz que a experiência a estimulou no espírito cooperativo. “Visamos o crescimento de todos, clientes e sociedade e não o enriquecimento de alguns. Cada cooperado tem direito a voto independente de quanto tem na conta”, salienta.


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