O transporte coletivo em São Carlos, atualmente realizado pela empresa Suzantur, pode parar a qualquer momento por falta de repasses do subsídio da Prefeitura Municipal de São Carlos. O diretor da Suzantur, Claudinei Brogliato, confirmou que a falta de repasse do subsídio que está levando a empresa ao colapso financeiro. Em entrevista, ele admitiu que a Prefeitura deve R$ 5,6 milhões e os salários dos 460 trabalhadores estão ameaçados.
Brogliato disse que o contrato emergencial acabou e que está atuando sem contrato. “Trabalhamos na precariedade. Nenhuma empresa consegue trabalhar sem o subsídio, uma vez que em São Carlos há muita gratuidade”, afirmou.
Ele ainda disse que o subsídio em São Carlos é algo antigo e citou a ação do Ministério Público. “Há também uma ação no Ministério Público (MP) que trata desse assunto e temos que respeitar a Justiça, mas é fato que a empresa está entrando em dificuldades. Nós prestamos o serviço de janeiro até agora e não recebemos nada. Até que ponto vamos suportar? Não sei. Aguardamos a definição da licitação e nada”, desabafou.
O MP pede a nulidade integral da contratação por certame licitatório emergencial, ao entender que o processo foi irregular, direcionado e tipicamente fraudulento. Pede ainda, o ressarcimento (devolução) aos cofres públicos dos valores pagos e o não pagamento a qualquer tempo, a título de subsídios ao transporte. A Ação Civil Pública é movida pelo promotor Sérgio Piovesan, ajuizada em 16 de maio de 2017, em tramitação na Vara da Fazenda Pública de São Carlos.
O empresário disse que a Suzantur está empurrando as contas para pagar. “Não posso dizer nada sobre o pagamento dos funcionários. Para pagar o funcionário, preciso deixar de pagar algo. Ou óleo diesel ou fornecedor. A situação é insuportável, temos 460 famílias que dependem da empresa, mas se não tiver dinheiro, não sei como aguentar financeiramente”.
O advogado do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Urbano, Amador Bandeira, disse que aguarda uma notificação da Suzantur até quarta-feira para tomar as devidas providências. “Tenho informações que a empresa vai demonstrar as dificuldades até quarta-feira. Aí, vamos comunicar a situação ao Ministério Público”, avisou.
Ele fez críticas ao processo de licitação. “Em São Carlos, estão fazendo uma lambança com a licitação. Se a empresa não tem contrato, eles teriam que abrir uma nova licitação”. (Com informações do Jornal Primeira Página)