Laudo do Imesc aponta que não houve médico
O laudo revela que Noah apresentou “quadro sugestivo de apendicite e foi submetido a procedimento cirúrgico, sem intercorrências”. Caso Noah
O Instituto de Medicina Social e de Criminologia de São Paulo (Imesc) divulgou, na última sexta-feira, 25, laudo médico legal do caso Noah Alexandre Palermo, falecido em 7 de junho de 2014. A revelação do resultado tornou-se pública através de reportagem publicada pelo Jornal Primeira Página desta terça-feira (29).
O laudo foi assinado pela perita Elga Castanheira Halada e revela que Noah, então com 5 anos, apresentou “quadro sugestivo de apendicite e foi submetido a procedimento cirúrgico, sem intercorrências”. A conclusão da médica prossegue: “evoluiu com septicemia, falência de múltiplos órgãos, choque séptico e óbito. Não há como estabelecer nexo de casualidade da medicação endovenosa e a crise convulsiva”, atestou.
O termo nexo de casualidade é o vinculo existente entre a conduta do agente e o resultado por ela produzido, ou seja: o médico Luciano Barboza Sampaio não teria interferido na evolução do quadro que levou Noah a óbito.
Em nome do médico, quem se pronunciou foi seu advogado Augusto Fauvel de Moraes que disse a reportagem que o laudo inocenta o médico. “O Imesc é vinculado à Justiça e aponta que não há nexo de casualidade, ou seja, não teve ação ou omissão do doutor Luciano, que contribuiu para o resultado da morte da criança. Todas as provas que produzimos foram acatadas pelo perito da Justiça. O Imesc, de forma clara e contundente, mostrou que não houve erro médico”, disse.
Em novembro, haverá uma audiência de instrução e julgamento marcada no processo criminal. Isso é reflexo do processo na esfera cível.
Relembrando - Noah Alexandre Palermo foi levado para a Santa Casa no dia 4 de junho de 2014 e diagnosticado com apendicite. Ele passou por cirurgia no dia seguinte, mas teve complicações e acordou com fortes dores abdominais na manhã do dia 6. O médico disse que era normal e receitou remédio para gases. Na tarde do dia 6 ele sofreu uma parada cardíaca, foi para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e reanimado. Apesar disso, ele não resistiu e morreu no início da madrugada do dia 7.
“Acredito que a Justiça será feita” - Marcos Palermo, pai do garoto, diz que aguarda outros posicionamentos e que o laudo do Imesc é apenas um deles. “Esse é apenas um dos laudos. Existem outros, o laudo do auditor do município que é controverso a essa decisão e os laudos dos Conselhos Regional e Federal de Medicina, que analisam a questão ética-profissional”, enfatizou.
Sobre a decisão do Imesc, Palermo não quis analisar o mérito. “Não entro em debates porque não sou médico. Eu entro em detalhes na questão de conduta. Independente da situação do paciente, houve a quebra de protocolo, o abandono do plantão para o médico ir a um jogo de futebol. Como se deixa um paciente, independente de morte ou não, para ir a um jogo de futebol? É isso que questiono”, desabafou. (Com informações do Jornal Primeira Página).