A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga o sumiço de R$ 375 mil dos cofres municipais concluiu o relatório de investigação do caso e concluiu que o prefeito Paulo Altomani sabia do escândalo que ficou conhecido como escândalo dos cheques.O documento, deve ser lido em plenário na tarde de hoje.
O relatório aponta ainda que existia uma relação muito próxima entre o prefeito e o empresário Rinaldo Luiz Jordão. “Percebe-se que há flagrante confusão patrimonial entre público e privado, no que diz respeito ao dinheiro público e a relação entre a Prefeitura e o senhor Rinaldo Jordão”.
O relatório final relembra que Jordão instalou a empresa em prédio da Engemasa, bem como utilizava as dependências da indústria para guardar caminhões munk. “Cumpre-nos observar que não se trata de favorecimento concretizado por um indivíduo ou determinado órgão da Prefeitura. Ao contrário: são diversos órgãos, servidores, cargos de confiança, secretarias municipais, enfim, múltiplos esforços públicos orquestrados para o favorecimento e benefício pessoal e financeiro de Rinaldo Jordão”, escreve o relator da CPI, vereador Ronaldo Lopes (PT).
De acordo com o relatório, os depoimentos e as provas coletadas pela CPI indicam que a fraude contava com a anuência do prefeito Altomani. Para a CPI, não é possível conceber a ideia de que o prefeito de São Carlos, enquanto ordenador de despesas, não tivesse acesso diário ao conteúdo do cofre e não soubesse dos valores contidos no interior.
Além do escândalo do cheque, a CPI apontou que várias licitações foram fraudadas com o objetivo de beneficiar a empresa RL, de Rinaldo Jordão. “O favorecimento da empresa RL nas transações e operações de prestação de serviços e fornecimento de materiais em diversos órgãos da Prefeitura, somado ao fato dos cheques do senhor Jordão terem sido encontrados no cofre da Prefeitura no lugar de dinheiro público, comprova que não se trata de fato pontual. A amplitude dos fatos deixa constatada a confusão patrimonial e demonstra que o prefeito estava agindo diretamente, utilizando de suas prerrogativas de chefe do Poder Executivo”.
O presidente da CPI, vereador Roselei Françoso (Rede), informou que após a leitura do relatório na sessão desta terça-feira, os documentos serão encaminhados à Polícia Civil, ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-SP) e ao Ministério Público (MP). (Com informações do Jornal Primeira Página)