Recentemente um grupo de arquitetos da Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de São Carlos (AEASC), visitou a Fazenda Santa Eudóxia, no distrito que leva o mesmo nome. A visita foi ciceroneada pela artista plástica e atual proprietária Isa de Paula Santos, que deu as informações históricas e técnicas a respeito da propriedade e também da manutenção da fazenda, que já é tombada como patrimônio para os profissionais da AEASC.
O resultado dessa primeira visita técnica deu certo e, de acordo com a vice-presidente de arquitetura Helena Frasneli Fernandes a ideia é continuar indo a outras fazendas. “Este ano estamos enfatizando a preservação e restauração de patrimônio histórico na associação. Já fizemos três palestras sobre o tema, teremos mais uma dentro de alguns meses e também a 2ª Mostra de Arquitetura trabalhará este tema”.
Sobre a Fazenda
Adquirido por Francisco da Cunha Bueno, membro de uma das tradicionais famílias paulistas, a Santa Eudóxia foi montada na área da antiga sesmaria do Eleutério. Cunha Bueno possuía fazendas em várias regiões do interior da província, como em Indaiatuba, Rio Claro (Morro Grande, 1854) e Itaquiri (atual Itirapina - Fazenda Itaquiri, 1860).
Sua caminhada, assim como a de muitos fazendeiros da época, em direção ao interior acompanhou o ritmo da expansão das fazendas de café: a busca por mais manchas de terra roxa para uma maior produção visando a exportação.
A Fazenda Santa Eudóxia foi adquirida por volta de 1869 de Eleutério Furquim de Campos numa negociação intermediada por Jesuíno de Arruda. Em parceria com seu sobrinho e genro Alfredo Ellis, Cunha Bueno se estabeleceu nesta nova fazenda que, em alguns anos, despontou como maior produtora de café da região entre o final do século XIX e começo do século XX.
O complexo da sede teve sua construção concluída em 1874 e por ser localizada na encosta de um morro, possui fundações de pedra e estrutura de pau-a-pique. Em consequência da irregularidade do terreno, é assobradada na elevação frontal e térrea na posterior, sobre arrimo de pedra. A sede da fazenda sofreu algumas alterações como o acréscimo de divisórias internas, fechamento de portas e aberturas de janelas e hoje é tombada pelo CONDEPHAAT (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico do Estado de São Paulo).
O nome Santa Eudóxia foi uma homenagem à memória da finada esposa de Cunha Bueno, Eudóxia Henriqueta de Oliveira. Além do que, o nome Eudóxia, segundo informações da atual proprietária, é também nome característico da família, tendo muitas gerações recebido esse nome junto com outros, formando sempre nome duplo com Eudóxia.