20/10/2015 às 22h06min - Atualizada em 20/10/2015 às 22h06min

Curiosidade e conhecimento marcam evento sobre impressão 3D na EESC-USP

Keite Marques

Para apresentar os conceitos e as aplicações da impressão 3D, um grupo de estudantes do Programa Pós-Graduação em Engenharia de Produção da Escola de Engenharia de São Carlos da USP (EESC-USP) organizou o primeiro evento "Café 3D" no Núcleo de Manufatura Avançada (NUMA), com a exposição de impressoras 3D e seus produtos.

O evento foi aberto a todos e teve como ideia central a divulgação da tecnologia, ampliando a troca de serviços, a funcionalidade das máquinas e o acesso à produção de peças. "Hoje o interesse e usabilidade da impressão 3D estão aumentando, principalmente dentro das universidades, despertando a vontade de muitas pessoas em conhecerem mais sobre a tecnologia e descobrir novas formas de impressão e aplicações", explicou o mestrando Vitor Macul.

A abertura do encontro foi marcada com um 'talk' – apresentação de curta duração – realizado pelo doutorando da EESC-USP Alex Bottene sobre o tema "O que é possível fazer com impressão 3D". Em seguida, durante o 'coffee break', os membros tiveram a oportunidade de conversar com os expositores e ver a mostra de materiais impressos.

Curiosos para saberem mais sobre impressão 3D e suas aplicabilidades, os mestrandos em engenharia mecânica da EESC-USP, Fernando Madureira e Bruno Ribeiro Bocato, também participaram do evento. "O mais interessante é o número de coisas que é possível com impressão em 3D. Você pode imprimir de tudo, não fica limitado a apenas um tipo de geometria", comentou Madureira.

Já Bocato se interessou em usar a tecnologia para fabricar protótipos para suas pesquisas em laboratórios. "Pelas inúmeras aplicações, tenho a possibilidade de fabricar e testar protótipos para ver sua eficiência e funcionalidade antes de fabricar em grande volume", comentou.

Os organizadores da atividade fazem parte da 3D Hubs, uma plataforma on-line que conecta proprietários de impressoras 3D e interessados do mundo inteiro no conhecimento e em serviços da tecnologia.  Essa comunidade surgiu na Holanda e atualmente está presente em diversos países do mundo com o propósito de aumentar o uso das impressoras, já que pesquisas apontam que as máquinas ficam ociosas cerca de 80% do tempo.

No Brasil, a comunidade 3D Hubs está dividida por regionais como a de São Paulo e de Campinas, que possuem o maior de número de membros cadastrados, acompanhadas de São Carlos, que conta hoje com oito impressoras cadastradas.

A primeira edição do Café 3D contou com a presença de nove impressoras de São Carlos, Ribeirão Preto e Bauru, sendo esta última cidade representada pelo professor do Departamento de Artes e Representação Gráfica da Universidade Estadual Paulista "Júlio Mesquita Filho" (Unesp), Luiz Antonio Vaz Hellmeisterd, e dois alunos de pós-graduação em engenharia mecânica da mesma instituição.

Além de diversos modelos impressos, os três pesquisadores expuseram o "Robohand", um projeto 'open source' de uma prótese de mão desenvolvido por um aluno de iniciação científica do curso de engenharia mecânica da Unesp, que não tem os dedos e parte da mão esquerda. Hellmeisterd acompanhou o desenvolvimento da prótese e explicou o projeto: "Toda a estrutura da mão e os dedos foram concebidos por meio da impressão 3D, o molde do punho e braço é de material termoplástico que precisa ser moldado no tamanho de cada usuário", comentou.

O aluno de mestrado em engenharia mecânica na Unesp, Ricardo Amaral Silva, comentou como a tecnologia está se expandindo e tendo cada vez mais aplicabilidade. "Quando se fala de impressão 3D, não estamos determinando apenas a impressão de peças ou objetos, mas da revolução na forma de aprendizado e estimulação das pessoas. O movimento 'maker' é o meio em que as pessoas podem materializar suas ideias de forma autônoma e prática", salientou.

Atualmente os materiais mais utilizados para impressão de peças são os polímeros, como PLA biodegradável derivado da cana de açúcar, ABS, que é derivado do petróleo, além do PLA composto com madeira. Também há o material elástico para fabricação de peças mais maleáveis e o nylon para peças mais resistentes.

Outro participante do evento foi o estudante do curso de Engenharia Mecânica da EESC-USP, Leonardo Simião de Luna, que buscou aprender mais sobre o conceito da tecnologia e disse ter gostado bastante de um 'drone' que estava exposto, cuja base central foi montada por peças de impressão 3D. "Já utilizei a tecnologia na fabricação de peças em disciplinas da universidade e estou aqui para saber mais sobre outras possíveis aplicações em outras áreas", comentou.

As regionais da 3D Hubs também organizam eventos para os proprietários de impressoras 3D com o intuito de discutirem questões técnicas, soluções de problemas e o melhoramento de projetos. Na plataforma on-line os membros podem verificar os próximos encontros de cada regional e a retrospectiva de eventos anteriores. Interessados em saber mais sobre a comunidade e os próximos eventos de São Carlos podem consultar o site www.3dhubs.com/sao-carlos.


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