10/03/2015 às 23h55min - Atualizada em 10/03/2015 às 23h55min

Especialistas em recursos hídricos e sustentabilidade reuniram-se na EESC-USP

Keite Marques

Em busca de firmar uma cooperação de pesquisa aplicada na área de recursos hídricos e sustentabilidade com a Escola de Engenharia de São Carlos da USP (EESC-USP), o diretor-presidente da Fundação Agência das Bacias Hidrográficas dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (Agência das Bacias PCJ), Sérgio Razera, e o engenheiro Luiz Antonio Carvalho e Silva Brasi, participaram de uma reunião com o professor Tadeu Fabrício Malheiros, do Departamento de Hidráulica e Saneamento da Escola.

"Há uma série de trabalhos, necessidades e demandas já comuns e outros novos desafios. Por isso a parceria com a Escola é importante no sentido de trazer toda a capacidade intelectual para desenvolver conhecimento, inovação tecnológica e gestão em práticas que ajudem os municípios e a população a superarem as dificuldades na questão da água. Colocar esforços nessa temática representa um dos pilares para o desenvolvimento sustentável", afirmou Razera.

Também estiveram presentes na reunião a engenheira da Câmara Técnica de Plano de Bacias da Agência e doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Hidráulica e Saneamento da EESC-USP, Ester Guimarães, além do engenheiro e também doutorando do Programa, Tiago Cetrulo, que contribuíram com ideias para a parceria.

A Agência representa um importante fórum de debate e execução de processos decididos e priorizados pelo Comitê de Bacias – um tipo de organização institucional que promove participação do poder público, dos usuários e das comunidades na gestão dos recursos hídricos, atuando como um Parlamento das Águas – com relação ao que administra. A receita é oriunda da cobrança pelo uso dos recursos hídricos nos rios de domínio da União e do Estado de São Paulo.

"O Comitê realiza o planejamento da bacia a partir de estudos que identificam os problemas que colocam os recursos hídricos – qualidade e quantidade – em risco. Ele traça cenários e propostas de ações, resultando no Plano de Bacia", explicou o diretor-presidente.

O Comitê conta com o apoio de 12 câmaras técnicas - equipes colegiadas de caráter consultivo, compostas por membros representantes de outros órgãos ou entidades -, dentre as quais destaca-se a Câmara Técnica de Integração e Difusão de Pesquisas e Tecnologias, que trabalha com o diálogo institucional, identificando as prioridades para buscar e estreitar as relações com os contatos competentes. "Buscamos fazer a integração do mundo externo e difundir as demandas na Câmara para objetivar soluções. Nossa visita à EESC-USP tem o objetivo de estreitar a relação no sentindo de envolver e fazer o 'link' com o Departamento para nos fornecer o conhecimento e novas tecnologias que contribuam nos desafios do comitê," destacou o membro da Câmara, Brasi.

Para Malheiros, o grande desafio nesse processo de construção de parceria é ir além das ações pontuais já desenvolvidas entre a Universidade e a Agência, no sentido de desenvolver uma agenda de pesquisa aplicada e capacitação mais permanente e duradoura. "Precisamos priorizar pesquisas e capacitação que tenham uma continuidade em perspectiva de longo prazo. Isso evita que os esforços virem um evento isolado, com risco de se afastar da realidade", comentou o professor.

Atualmente o planejamento da pesquisa, de acordo com o docente, acontece conforme a demanda geral, o surgimento de uma ideia ou a partir do que a literatura aponta como relevante – o que às vezes não é coerente com as prioridades e as próprias dinâmicas da realidade. "É necessário levantar essas demandas e prioridades nas bases, para que o estudo produzido na Universidade não se destine apenas às prateleiras de uma biblioteca e artigos científicos, mas também para a utilidade prática e atual. Por isso, elaborar uma pesquisa em parceria com quem irá usufruir oferece uma efetividade muito maior ao ser desenvolvida", destacou Malheiros.

Outra vantagem da parceria apontada pelo professor é a oportunidade de pesquisa envolvendo também os alunos da graduação para que formem uma visão mais real de onde irão atuar e se preparem melhor para serem profissionais mais próximos às situações locais. "A Agência do PCJ é referência no Brasil em termos de estrutura, estudos e maturidade na gestão de recursos hídricos, o que proporciona uma boa oportunidade acadêmica para Escola; ao firmar uma parceria de cooperação, ambas as instituições aprendem e ensinam nesse processo", afirmou Malheiros.

Um trabalho já demandado e de interesse mútuo entre as instituições é o tema da universalização do saneamento em áreas urbanas de baixa renda, uma vez que nessas áreas os índices de desperdício são elevados por conta de ligações clandestinas, além dos problemas de saúde pública associados. Outro tema importante é a questão da água em áreas rurais, em especial um olhar dos mananciais. "A crise hídrica fomenta toda essa necessidade de aprimorar o planejamento que já existe, mas que apresenta falhas", comentou Razera.

O diretor-presidente destacou que esse encontro foi o primeiro de muitos que devem ocorrer ao longo dos próximos meses, afirmando que em breve novas reuniões serão agendadas com o objetivo de dar continuidade aos trâmites de formalização da parceria.


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