Entidades de classes de policiais militares, civis e da Polícia Técnico-Científica reagiram negativamente ao programa de concessão de bônus anunciado pelo Governo do Estado aos policiais que cumprirem metas de redução da criminalidade.O benefício poderia chegar a R$ 8 mil por ano, de acordo com o desempenho da PM em sua respectiva região. A medida faz parte do programa "São Paulo contra o crime" desenvolvido pela Secretaria da Segurança Pública para conter a violência no estado.
Segundo Carlos Roberto Marques, o Pezinho, da Associação de Cabos e Soldados de Araraquara, a entidade é contra a medida. "Primeiro, porque ela não resolve a questão salarial da categoria. Em segundo lugar, o pessoal administrativo, que cumpre um importante papel no apoio aos colegas que atuam nas ruas combatendo a criminalidade, não serão contemplados", afirma.
Marques afirma também que a categoria ensaia uma ampla mobilização para debate o assunto e demonstrar a insatisfação com as medidas anunciadas. "O estado precisa de uma política de segurança pública. Não podemos concordar com a jornada de trabalho à qual os policiais se submetem, colocando em risco toda a sociedade", completa.
Segundo o presidente da associação, hoje, há policiais militares que trabalham 12 horas consecutivas. "Essa escala de 12 por 36 horas compromete o rendimento do policial. Além do desgaste da jornada e das condições de trabalho, muitos ainda precisam fazer bico para complementar a renda", encerra Marques.
A categoria deve iniciar uma campanha e convocar manifestações para as próximas semanas em todo o estado de São Paulo. O objetivo é pressionar a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo para rejeitar a proposta do governo paulista.
Categoria conhece projeto
O Governo de São Paulo realizou nesta segunda-feira (20) um seminário sobre o programa de metas e bonificação das polícias do Estado. Participaram do seminário cerca de dois mil dos principais gestores das três polícias – Militar, Civil e Técnico-Científica.
De acordo com o programa, que tem como objetivo a redução de índices de criminalidade em todo o Estado, policiais militares, civis e técnico-científicos poderão receber até R$ 8 mil como bonificação por ano caso atinjam as metas estabelecidas.
"O plano estimula o trabalho em equipe e, com metas definidas, dá objetividade ao trabalho das polícias", afirmou o governador Geraldo Alckmin.
No evento, foram detalhadas as regras e parâmetros para a definição das metas e para o pagamento dos bônus. Ao todo, 2.200 policiais com cargos de comando nas polícias Militar, Civil e Científica participaram do encontro, que aconteceu no Palácio dos Bandeirantes.
No seminário, os policiais receberam material informativo, a ser compartilhado com seus subordinados, e conheceram detalhes sobre as metas de redução dos três indicadores estratégicos: 1) Vítimas de Letalidade Violenta (VLV), que inclui homicídios dolosos e latrocínios; 2) o número de Roubos; e 3) o número de Roubos e Furtos de Veículos.
O Projeto de Lei que institui a bonificação por resultados foi enviado em dezembro à Assembleia Legislativa de São Paulo e, após aprovado, terá seus efeitos retroativos a janeiro deste ano.
"Estamos melhorando a gestão das polícias para resolver e prevenir mais crimes. O objetivo ao adotar um plano de metas é um só: reduzir a criminalidade", disse Grella Vieira. "O programa de metas busca dar maior incentivo a eles e premiar aqueles que forem além do cumprimento do dever", conclui o secretário da Segurança Pública, Fernando Grella Vieira.