Pais de alunos usam Tribuna Livre para manifestar descontentamento com troca de diretora

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Pais de alunos da Escola Municipal Antônio Stella Moruzzi do Jardim Tangará, estiveram na terça-feira (14) na Câmara Municipal de São Carlos e fizeram uso da Tribuna Livre , Cristiane Aparecida Alves da Silva, mãe de dois alunos da escola, foi a porta voz da manifestação. A comunidade escolar daquela EMEB se manifestou contrário a maneira que algumas mudanças foram realizadas. Antes das alterações os pais de alunos se reuniram em assembleias, protocolaram ofícios na própria Câmara Municipal, Secretaria Municipal de Educação e Prefeitura Municipal, mas não foram ouvidos.

Acompanhe o manifesto:

"Nós, da comunidade Moruzzi, pedimos a Tribuna Livre para trazer a esta casa os acontecimentos ocorridos em nossa escola no último mês.

Somos uma Comunidade envolvida e articulada com a intenção de proporcionar aos alunos a máxima aprendizagem, e atuamos de maneira horizontal nas decisões da escola, envolvendo os familiares, a comunidade do entorno, os Alunos e profissionais que trabalham na unidade. Em nossa unidade escolar, as decisões são tomadas coletivamente!

O planejamento das atividades também é realizado em conjunto e acreditamos que estamos no caminho certo, com certeza temos muito para melhorar, mas acreditamos que encontramos um caminho justo e potencializador  para realizar nossas vontades e nossos sonhos.

Nesta condição, as mudanças propostas pela nova gestão à nossa unidade já causaram importantes distúrbios na harmonia e andamento de nossa escola. Na ocasião em que fomos informados que a direção da escola seria mudada, realizamos uma assembleia com a presença de grande número de pais e conselheiros, quando foi tirado um abaixo-assinado solicitando ao secretário que:

revogasse  a exoneração anunciada; que fosse aberto um processo de discussão com a comunidade e;que fosse garantida a continuidade da proposta pedagógica escolhida por nós.

Este documento foi protocolado  na Secretaria de Educação, na Câmara Municipal e no gabinete do Prefeito.

Na ocasião o Secretário da Educação recebeu o documento se comprometendo a, ele ou alguém de sua equipe, se dirigir à unidade escolar para que fosse iniciado o diálogo proposto. Ao invés do atendimento ao pedido supra assinado por mais de 100 famílias e profissionais da escola, recebemos de surpresa, no feriado do dia do Trabalhador, via Diário Oficial, a notícia da exoneração da então Diretora. Também não houve manifestação desta casa e nem do Sr. Prefeito, que também receberam o documento e, com certeza, leram e/ou ouviram reportagens realizadas na cidade sobre o assunto e os comentários da população à respeito.

Anteriormente, ainda no início do ano letivo, os profissionais da unidade escolar,corpo docente e funcionários,  enviaram à Secretaria Municipal de Educacao solicitacão para a continuidade da equipe de gestão da escola e naquela ocasião não tivemos resposta por parte da Secretaria de Educação.

Entendemos então que o novo gestor não compartilha da nossa maneira de pensar a educação e não compactua com a relação de respeito mutuo que cultivamos e tanto prezamos em nosso ambiente escolar. Suas ações, desprovidas de diálogo, foram e são desastrosas num ambiente em que se propõe o máximo diálogo e respeito entre os envolvidos.

Ressaltamos que não estamos a serviço de ninguém ou sequer incitados por qualquer pessoa ou partido político. Somos um coletivo de pessoas que se articula e luta para ter seus direitos respeitados, seus interesses considerados e sua contribuição devidamente valorizada. Princípios fundamentados e valorizados por Comunidades de Aprendizagem.

Por que tanto segredo e ruptura? Mudanças que afetam pessoas em um processo de formação, como as crianças de nossa escola, tem que ser feitas com todo o cuidado e de maneira orquestrada com todos os envolvidos. Exigem planejamento e  período de transição, visando minimizar impactos no andamento das atividades e rotina da escola.

E nas crianças? Em que momento foi pensado nelas? Troca de professores no meio do semestre, desarticulando os vínculos entre professoras e as crianças da sala! Que garantia teremos de manutenção do padrão de atendimento da escola e da qualidade de ensino oferecida? Será garantida a participação da comunidade na escola? De que forma?

Ainda não ficou claro quais foram os critérios para a escolha dos novos diretores. Por que não houve divulgação destes critérios? Por quais motivos algumas diretoras foram mantidas? Por que foram mantidos alguns diretores que já haviam sido notificados pelo Diário Oficial que seriam exonerados? Por que voltou-se atrás em algumas escolas e em outras não?

Queremos apenas entender quais são, de fato, os critérios objetivos que estão utilizando para a tomada de decisões.

Sabemos que a legislação autoriza o Governo Municipal a nomear as diretoras como cargos de confiança, porém houve a promessa da lista tríplice que foi substituída por um processo considerado pela gestão atual como "mais democrático".  Em que sentido? Sobre o direito de inscrição de interessados? E o direito de participação da comunidade escolar no processo de escolha? Democracia, só em parte do processo? Afinal, se prezam por um processo mais democrático,  por que nossos pedidos para dialogarem  com a comunidade escolar vem sendo ignorados?

Apesar das explicações iniciais recebidas, ainda solicitamos esclarecimentos sobre a merenda, fornecimento de material escolar e o uniforme das crianças.

Por fim, entendemos que nossa manifestação justa e legal não foi recebida com o devido respeito por toda a administração pública do município de São Carlos e solicitamos a realização de uma Audiência Pública com o Secretario Municipal de Educação, como direito que temos como cidadãos, esperando  finalmente termos respostas aos nossos questionamentos e a possibilidade de diálogo."

Comunidade da EMEB Antonio Stella Moruzzi


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