17/03/2013 às 18h53min - Atualizada em 17/03/2013 às 18h53min

Desafios debaixo d'água para aprender a resgatar vidas

Apesar de ser mais conhecido por suas atuações heróicas de combate ao fogo e resgate de vítimas em desastres urbanos, o salvamento em rios, represas e mar também é uma das expertises do Corpo de Bombeiros de São Paulo. Tanto é que a corporação, que completou 133 anos de história no domingo (10), possui uma unidade especializada no assunto: o Grupamento de Bombeiros Marítimos (GBMar).

O Grupamento oferece alguns cursos de preparação para seus oficiais e praças se adequarem a este tipo de salvamento, entre eles o Curso de Mergulho Autônomo (CMAUT), no qual os bombeiros treinam não só os resgates aquáticos, mas também o recolhimento de objetos, tanto em águas abrigadas quanto abertas, independente da profundidade.

O curso, aplicado na sede do GBMar, no Guarujá, litoral de São Paulo, é coordenado pelo capitão Maurício Biloti Machado Cunha, e tem aulas ministradas por diversos oficiais. Na piscina, o capitão Ricardo Antoniazzi Pelliccioni e o tenente Silvano Viana Gomes, junto com outros instrutores de mergulho (também bombeiros militares), organizam os testes e desafios. Algumas aulas são feitas diretamente no mar.

"O curso molda o profissional para a atividade subaquática. Temos sempre muita demanda nesse campo, desde recuperar algum objeto perdido, resgatar partes de algum veículo que passou por acidente, e também amenizar a dor de alguém que perdeu um ente querido, procurando o corpo da vítima que está no mar", disse o subcomandante do GBMar, major Carlos Eduardo Smicelato.

Desafios debaixo d'água

O curso de mergulho dura seis semanas e é destinado principalmente aos profissionais do Corpo de Bombeiros de São Paulo, porém, qualquer militar, seja das Forças Armadas ou da Polícia Militar de outros estados, pode fazê-lo, desde que passe no concurso.

Os militares, independente da patente, começam o dia praticando exercícios físicos, como corridas na areia e mergulhos no mar. Depois, durante as primeiras semanas, têm aulas de fisiologia, primeiros socorros, segurança no mar, cuidados com materiais, entre outras disciplinas.

Após as aulas teóricas, são realizados ainda testes na piscina e, posteriormente, no mar. Em um deles, os bombeiros precisam passar por provas de resistência debaixo d'água, como atravessar 40, 60 e até 80 metros prendendo a respiração.

O teste serve para desenvolver a capacidade do aluno, aumentando o mergulho em apneia (tempo em que uma pessoa mergulha sem respirar, apenas com o ar dos pulmões). "O ar é a coisa mais importante que vocês terão lá embaixo, os exercícios ensinam como guardar por mais tempo o oxigênio", explica Pelliccioni para seus alunos.

Outros desafios, como montar quebra-cabeças ou colocar corretamente diversos pinos em uma placa, ajudam os militares a raciocinarem no fundo do mar ou de uma piscina. "Esses testes forçam os alunos a pensarem debaixo d'água. Não podemos confiar apenas em nossos instintos", conta o cabo Sidney Sandro, um dos instrutores.

Além disso, os bombeiros aprendem a utilizar e preservar os materiais de mergulho, como coletes, válvulas, cilindros de ar, máscaras e snorkels.

Referência nacional

O Curso de Mergulho Autônomo do Corpo de Bombeiros de São Paulo é referência no país. Diversos estados já enviaram cabos e soldados da Polícia Militar para aprenderem a mergulhar com os profissionais paulistas.

Nos últimos anos, já passaram também profissionais da Aeronáutica e Exército, além de policiais militares do Rio de Janeiro, Maranhão e Santa Catarina, entre outros. Os instrutores de São Paulo são conhecidos pela disciplina e determinação, e passam isso durante as aulas.

"Não é um curso fácil. Os alunos irão cuidar e salvar vidas, então devemos ter muita atenção e disciplina. Um erro no fundo do mar pode ser fatal", comenta o cabo Sandro.

Depois de formados no curso, os alunos podem atuar em todo litoral e até mesmo em grandes rios e lagos. A represa de Guarapiranga, na zona sul da Capital, é um dos importantes pontos de São Paulo vigiados pelo Corpo de Bombeiros.

Confira amanhã (17), uma matéria especial sobre o monitoramento dos bombeiros na represa de Guarapiranga, que chega a receber cerca de 10 mil frequentadores aos domingos.


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