23/11/2012 às 09h32min - Atualizada em 23/11/2012 às 09h32min

Ex-atleta Nelson Prudêncio morre na Casa de Saúde

Carlinhos Oliveira/Terceiro Tempo

  

Duas vezes medalhista olímpico, o ex-atleta e professor da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Nelson Prudêncio, morreu na madrugada desta sexta-feira (23), na Casa de Saúde de São Carlos. Prudêncio lutava contra um câncer de pulmão há um mês, aproximadamente.

Prudêncio tinha 68 anos. Com câncer no pulmão, ele sentiu-se mal no início do mês de novembro e estava hospitalizado desde a manhã de terça-feira, entrando em estado de coma irreversível. Segundo o último boletim médico divulgado nesta quinta-feira, Prudêncio estava "em estado gravíssimo, com instabilidade hemodinâmica em uso de ventilação mecânica".

Prudêncio nasceu em Lins em 1944. Ele deixa esposa e dois filhos. O velório acontece no Cemitério Nossa Senhora do Carmo. O sepultamento se dará às 16h30 desta sexta-feira (23).

A carreira 

Na década de 60, conciliar os estudos com alguma atividade esportiva era um fato muito raro. Mais raro ainda era um atleta negro conseguir cursar o ensino superior. Mas Nelson Prudêncio, filho de Romualdo e Verônica, conseguiu fazer tudo isso.

Entre os bancos escolares e as pistas de salto triplo, um dos maiores atletas negros do Brasil participou da sua primeira competição de atletismo em 1964. Com as atenções divididas entre o trabalho e os estudos fizeram com que Nelson treinasse apenas duas vezes por semana. Mesmo com o pouco tempo de treinamento, o atleta atingia marcas cada vez melhores.

O primeiro grande resultado internacional da carreira do saltador aconteceu no Pan-Americano de 1967, em Winnipeg no Canadá – Nelson saltou 16m45. No ano seguinte, o trilplista foi aos Jogos Olímpicos da Cidade do México com o objetivo de quebrar o recorde sul americano de 16m56, que pertencia a Adhemar Ferreira da Silva. Uma medalha seria um sonho.

E logo na primeira eliminatória o sonho parecia ficar mais distante. O italiano Giuseppe Gentile saltou 17m10, sete centímetros acima do recorde mundial. Nas finais, realizada no dia seguinte, o italiano deu show outra vez, chegando aos 17m22. Quando tudo indicava que a medalha de oura iria para a Itália, o soviético Viktor Saneyev ultrapassou a marca em apenas um centímetro.

O salto impressionante do atleta russo jogou Nelson Prudêncio para a quarta colocação. Para conquistar uma medalha, o brasileiro precisava superar o seu primeiro salto, de 17m05. A essa altura, ele já havia quebrado o recorde sul americano, mas ele conseguiu fazer 17m22, quebrar o recorde mundial e assumir a primeira colocação. No salto seguinte, o russo fez 17m49, conquistando o ouro. Nada que apagasse o brilho prateado do jovem atleta da cidade de Lins.

Logo após a medalha de prata no México, Nelson Prudêncio decidiu se dedicar de vez à faculdade de Educação física. Foi convidado para estudar nos Estados Unidos e acabou deixando muitas competições de lado. Mesmo assim foi medalha de prata no Pan de 1971, realizado na Colômbia.

A convocação para a Olimpíada de 1972, em Munique, aconteceu mais pelo que ele havia feito quatro anos antes. Mas, outra vez, Nelson surpreendeu e arrematou bronze. Antes de encerrar a carreira, o saltador ainda participou dos Jogos Olímpicos de 1976.

Da Redação - com informações do Portal Terceiro Tempo.


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